

DescasoA rotina engole a podridão do chão, O cinzento esconde o que a gente esquece, Ninguém para, ninguém estende a mão, E a cidade, exausta, finge que adormece.
A rotina continua igual. Seguem os carros, o comércio, o ganho, Entre bueiros cegos e o rio que avança, A indiferença é o manto do rebanho, Que aceita o caos e a própria vida estanca.
Lá fora o fogo consome as vitrines, Em fúria Paris quebra o vidro e o metal, Mas aqui o silêncio absolve os crimes, Na paz anestesiada ,na graça do tudo igual.
Pelo menos no nosso centro comercial Amanhã as portas abrem-se intactas e seguras, Sob o teto artificial que o gesso sustenta, Pois o nosso vandalismo é feito às escuras, No esgoto que cala e na lama que aumenta.
Enfim, a lona será tirada Acabou o circo, acabou a graça. A chuva diminui e o bueiro encheu. A culpa é tua, do meu ou do seu! ?
Starisy
Enviado por Starisy em 26/10/2026
Alterado em 26/10/2026 Comentários
|