

O inesperado 🩵🖤🤍
Para o meu irmão, cuja verdade nenhuma gaveta pode enterrar. Lúcio. Foi uma vida difícil, intensa, desapegada e ao mesmo tempo materialista desde criança com suas travessuras, amarrando os irmãos menores no poste para poder jogar sua bola e ao mesmo tempo cuidar deles. Leal, isso sem dúvida ele era. A sua intensidade na adolescência só aumentou: inteligente e frenético como um carrinho de corridas, sem pai para colocar os freios necessários, com uma mãe sempre cansada, porque a luta era muito grande para poder alimentar todas aquelas crianças. Ele era o quarto de sete. As lembranças da infância me fogem, pois a diferença de idade é tão mínima que, quando eu tinha cinco, você completava quatro e vivíamos todos juntos no mesmo quarto. Onde nasci e cresci, e você, com seu carrinho de ferro, me acertou. E quando foi para a pré-escola, tinha um chapéu de bombeiro. Nas brincadeiras, pegava fogo e a mãe sempre corria atrás com a varinha para apagar. Talvez naquela época a gente não tivesse maturidade o suficiente para entender o quanto é difícil crescer. O tempo passou e a puberdade nos afastou. O menino cresceu, o homem carregou toda aquela imensidão, vivia perdido no sim e no não até que a droga na vida se infiltrou para inibir a tristeza, saiu e foi arrastando tudo de bom em você, sua inocência, pureza, a bondade prevaleceu intacta: sempre gostou de ajudar o próximo. Um dia de sol, sorriso se perdendo e o menino que foi crescendo e diminuiu, envelhecendo os sonhos nas ruas por opção, do nada queria tudo e vice-versa. Assim foi a vida que, quando se estava com tudo, seifou-se, sem despedidas. Era época de eleição, não se prendia nem ladrão, mas a verdade foi enterrada com você. Meu irmão!
Página do livro; Onde a mente encontra o cais Starisy
Enviado por Starisy em 13/08/2026
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