

Ela e Eu: O que o olhar de criança não alcançava⋆.𐙚 ̊
Não somos o oposto. Sobreposto Temos diversos e diferentes gostos. Passamos por muitos caminhos. Juntas e sozinhas Ela não teve tempo na minha infância porque no fundo ainda era criança. Muitas vezes eu a vi como a vilã da minha história. Então cresci. Seus conselhos eu entendi. Na adolescência, já não era tanta turbulência. Ela já sorria mais. Aos poucos, eu fui me tornando mulher. Mãe e agora até vovó. Mas sempre que olho para trás, vejo. Minha mãe e eu Num instante, eu agradeço. Não é preciso esclarecer A vida entre o nascer e o crescer. Se diminui em um grão. Perto do quão grande é ser mãe. Essa antologia, 'Minha Mãe e Eu', me levou, aos meados dos anos 70. Onde eu não entendia a importância de ser referência daquilo em que acreditamos. Passou-me meia década pela cabeça e eu tenho muitas bênçãos para agradecer. E todas elas não seriam possíveis sem ela, minha mãe, que me trouxe à vida. Durante décadas, o rosto da minha mãe foi para mim um mapa de estradas fechadas. Eu lia seu semblante sério como rabugice e sua braveza como distância. Para a criança que eu era, faltava o açúcar do bolinho e sobrava o amargor do silêncio. O que eu não sabia e as crianças raramente sabem é que aquele rosto não era de vilã, mas de sentinela. Ela guardava tristezas que não cabiam em palavras e medos que não podiam vazar pelos olhos, sob o risco de inundar a casa. Naquela época, a porta trancada não era um castigo, mas o único escudo que ela conhecia para proteger sete vidas enquanto ia ganhar o nosso pão. Mas nós, do lado de dentro, só víamos a clausura. Minha falecida e amada madrinha, cúmplice da nossa infância, era quem nos 'roubava' pela janela. O mundo lá fora era um banquete de liberdade, até que o relógio avisava: ela está chegando. Muitas vezes, a Espada de São Jorge nos alcançava antes que o último pé passasse pelo batente da janela, hahaha. Eu cresci guardando o ardor daquela planta na pele e a imagem da 'mãe brava' na memória. O que meu olhar de criança não alcançava era o pânico no peito dela ao chegar e encontrar o quarto vazio e ao imaginar os riscos que corríamos na rua, as preocupações de mãe que fui compreender na prática. O que eu chamava de ruindade, hoje chamo de desespero de quem não podia perder um só dos seus sete pequenos. Engraçado como o pai era isento. O silêncio dele era aceitável, mas o grito dela, que era o grito de quem carregava o mundo nas costas, era o que nos feria. Hoje, sendo mãe e avó, olho para aquela mulher dos anos 70 e sinto vontade de segurar as mãos dela e dizer: “Eu entendi. Você não estava batendo, você estava tentando nos manter seguros do lado de dentro.” A vida é certamente a melhor cartilha e é na prática dela que aprendemos a viver. Hoje, quando o telefone toca e ouço sua voz ainda firme com esse tom mandão que o tempo não ousou apagar, rsrs , eu sorrio. Compreendo que aquela exigência foi o que nos manteve vivos e nos colocou no caminho certo. O passado já não é mais um tribunal onde eu a coloco no banco dos réus; é apenas um espelho retrovisor que me mostra o quanto caminhamos. Minha mãe é uma guerreira que superou muitos desafios e eu tenho muito orgulho dela por não desistir de nós! Peço a Deus que a proteja, enquanto observo as crianças, a nossa continuação correndo livres, sem portas trancadas ou janelas de fuga. A espada de São Jorge agora é só uma planta que adorna o jardim, e o semblante sério de ontem deu lugar à tranquilidade de quem cumpriu a missão. O maior orgulho de hoje é saber que, acima de qualquer adversidade, somos sobrepostas, somos linhagem e, finalmente, somos paz. Com algumas turbulências familiares que mais nos ensinam do que castigam. Para minha mãe, eu dedico a canção: Como é grande o meu amor por você….
Roberto Carlos🎸 ♪ ༘⋆♪⋆.𐙚 ̊ ᴠᴏʟᴜᴍᴇ :▮▮▮▮▮▮▯▯▯Mäe♪♡✌︎㋡
Essa crônica foi criada para a Antologia minha mãe e eu que será lançada pela editora Antologias do Brasil 🇧🇷
Starisy
Enviado por Starisy em 23/04/2026
Alterado em 23/04/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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